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E bicho lá tem comportamento?

Cão Comportado

Tem sim. Comportamento é definido pela ciência como a reação a um estímulo externo, então podemos chamar também de resposta. Tudo que responde está apresentando um comportamento. Se você chama seu cão e ele vem até você, ele está apresentando um comportamento, e esse comportamento pode variar (e muito) a cada indivíduo, seja ele humano ou não.

Tente se lembrar se seu cão veio até você todas as vezes que você chamou durante a vida. Provavelmente se lembrará de alguma vez que ele decidiu por não responder. Agora posso até arriscar um palpite: Você teve a brilhante ideia de pegar um pedaço da comida que ele mais gosta e… Voilà! Ele aparece bem na frente do seu pé antes mesmo de você chamá-lo para comer.

Isso significa que, assim que o ambiente próximo de você se tornou mais interessante, ele resolveu parar o que quer que estivesse fazendo para se aproximar. Então se ele não me respondeu significa que eu não sou interessante para ele? Perfeito! Você aprendeu a primeira expressão da linguagem canina. Ao contrário do que muitos pensam, cães não fazem birra nem desobedecem para se vingar de algo que aconteceu, eles simplesmente não estão vendo motivo suficiente para te obedecer.

Infelizmente nossos melhores amigos não têm capacidade cerebral para raciocínios tão complexos. No caso de uma birra ele teria que desenvolver uma cadeia de pensamentos mais ou menos assim:

1. Meu dono me chamou, então eu tenho a oportunidade de manipular seus sentimentos.  2. Estou chateado com a falta do meu ursinho, 3. então vou me utilizar dessa situação para mostrar pra ele o quanto eu o ignoro, 4. dessa forma ele pode sentir a consciência pesada, 5. e nunca mais me negue o ursinho.

São 5 cadeias de pensamento desenvolvidas sobre algo que não está acontecendo no momento. Nossos amigos são capazes de apenas uma ou, no máximo, duas associações lógicas em resposta a um determinado estímulo. Atualmente o ser humano é a única espécie capaz de tal trabalho de raciocínio.

Resumindo a ópera, sim, eles tomam decisões e apresentam comportamentos, sempre segundo o que eles julgarem mais interessante para a sua sobrevivência, para a perpetuação da sua espécie e para o seu bem estar. Então quer dizer que eu estou a mercê do comportamento que o meu cãozinho preferir e não posso fazer nada? Dessa vez passou perto. Sim, eles preferem esse ou aquele comportamento, mas isso não significa que você está de mãos atadas.

O segredo está em fazer o cão gostar de apresentar comportamentos mais condizentes com a realidade humana, como ser dócil, portar-se de maneira calma, brincar somente com seus brinquedos, fazer suas necessidades em um determinado local de fácil limpeza e até obedecer a comandos verbais de seus donos. Tudo isso é possível sem nunca recorrer a métodos arcaicos e cruéis, como choques, privações extremas e agressões, e não, seu cão não será um robô! Isso é uma das maiores lendas que existem (vou falar um pouco mais sobre as lendas num próximo post).

Mais do que fazer um cão aprender a guardar seus brinquedos, nadar ou passear pacificamente sem guia, adestrar seu cão pode ser a chave para a resolução de problemas mais graves, como cães que se tornam agressivos com visitas, com pessoas específicas, com pessoas que portam determinados objetos (boné, capacete, vassoura, chinelo, etc.) ou como aqueles que entram em desespero completo quando ouvem um barulho de trovão (alguns chegam a ter surtos violentos, auto-mutilação, vômitos, desmaios, incontinências e até infarto). Nessas terapias são utilizadas brincadeiras que convencem o cão de que aquele cenário não é tão ruim quanto parece. Tipo o trabalho do analista? Sim, com a facilidade de analisar uma mente bem mais simples e direta, mas com a dificuldade de o paciente não saber falar sobre o que está sentindo.

 

Fernando Felix
Adestrador de animais